Psicóloga orienta: Como lidar com comportamentos abusivos

Ouvimos falar muito sobre comportamentos abusivos, mas afinal, quando um comportamento pode ser considerado abusivo? 

Este artigo não tem a pretensão de esgotar o tema, mas sim abrir o leque das reflexões. 

Trata-se de um assunto complexo, que envolve diferentes contextos, intensidades e formas de manifestação nas relações interpessoais.  

Psicóloga Maristela Vallim Botari

CRP-SP 06-121677

 

Índice

  1. O que pode ser considerado comportamento abusivo
  2. Exemplos genéricos: trabalho, amor e família
  3. Como isso pode afetar a saúde mental

Neste artigo, a psicóloga apresenta orientações sobre como reconhecer e lidar com comportamentos abusivos nas relações. A autora ressalta que esses comportamentos muitas vezes refletem questões internas de quem os emite, e não algum defeito ou fragilidade de quem os recebe. Também são abordadas possíveis formas de reflexão e enfrentamento, como reconhecer sinais de desrespeito, sustentar limites, avaliar quando confrontar ou negociar e considerar seguir adiante em situações persistentes. O texto enfatiza a importância de cuidar da própria saúde emocional e de desenvolver discernimento nas interações.

De acordo com o Dicionário Michaelis, abuso é definido como “uso excessivo, indevido ou injusto de algo” ou ainda como “ato de exceder limites”. 

Já o Dicionário Priberam da Língua Portuguesa descreve abuso como “uso mau, excessivo ou injusto” e também como “ato que ultrapassa os limites do respeito, da lei ou da moral”. 

Em ambas as definições aparecem elementos importantes para reflexão: excesso, inadequação e transgressão de limites.

Quando trazemos essa compreensão para o campo das relações humanas, pode-se considerar abusivo o comportamento que ultrapassa limites pessoais, desrespeita a autonomia do outro ou impõe sofrimento de maneira recorrente. 

Nem todo conflito ou divergência caracteriza abuso. Relações envolvem diferenças, frustrações e negociações. 

A questão central costuma estar na repetição de atitudes que desconsideram o outro como sujeito de direitos, sentimentos e escolhas.


1) O que pode ser considerado comportamento abusivo

Um comportamento pode ser considerado abusivo quando há desequilíbrio de poder, tentativa de controle excessivo, desqualificação constante ou desrespeito aos limites emocionais, físicos ou psicológicos do outro. 

O abuso não se define apenas por um episódio isolado, mas frequentemente por um padrão repetitivo de atitudes que geram constrangimento, medo, humilhação ou insegurança.

Entre os sinais que podem indicar comportamento abusivo estão: manipulação emocional, imposição de decisões, ameaças veladas ou explícitas, críticas constantes que atingem a autoestima e a invalidação de sentimentos. 

É importante observar o contexto, a frequência e o impacto dessas atitudes na vida da pessoa envolvida.


2) Exemplos genéricos: trabalho, amor e família

No trabalho

No ambiente profissional, comportamentos abusivos podem se manifestar por meio de humilhações públicas, cobranças desproporcionais, metas impossíveis, isolamento do funcionário ou desqualificação constante de suas competências. Também podem ocorrer situações em que há uso de medo ou ameaça de demissão como forma de controle.

Nos relacionamentos amorosos

Em relações afetivas, o abuso pode aparecer como controle excessivo, tentativas de afastamento de amigos e familiares ou chantagens emocionais. Há casos em que a pessoa invalida sentimentos, ridiculariza opiniões ou utiliza culpa como ferramenta de manipulação.

No contexto familiar

Na família, comportamentos abusivos podem surgir por meio de críticas recorrentes, comparações humilhantes, imposição de escolhas sem diálogo ou desrespeito à individualidade. Em algumas situações, pode haver uso de dependência financeira ou emocional para manter controle sobre decisões pessoais.


3) Como isso pode afetar a saúde mental

A exposição contínua a comportamentos abusivos pode gerar impactos significativos na saúde mental. Entre as possíveis consequências estão a redução da autoestima, aumento da ansiedade, sentimentos de culpa excessiva e dificuldade em confiar nas próprias percepções.

Com o tempo, a pessoa pode desenvolver insegurança, medo de se posicionar e dificuldade em estabelecer limites. Em alguns casos, pode haver sintomas depressivos, estresse crônico e desgaste emocional significativo.

Psicóloga orienta: Como lidar com comportamentos abusivos

É importante entender que, quando um comportamento abusivo é direcionado a você, muitas vezes ele fala mais sobre as questões internas de quem o pratica do que sobre você.
 
Na maioria das vezes, não há muito o que se possa fazer para mudar o outro. As pessoas mudam seus comportamentos quando estão preparadas, e não nos compete definir isso.
 
No entanto, é possível investir no próprio fortalecimento: desenvolver limites, ampliar a assertividade e cuidar da saúde emocional. 
 

O foco pode deixar de ser mudar o outro e passar a ser proteger e fortalecer a si mesmo. 

 
Fortalecer a si mesmo pode incluir aprender a perceber logo no começo os sinais de desrespeito, parar de arrumar desculpas automáticas para o comportamento do outro e conseguir sustentar um “não” mesmo quando surgem culpa, pressão ou intimidação. 
 
Também envolve saber diferenciar quando vale a pena conversar e confrontar de forma clara, quando é possível negociar limites e quando, apesar de todas as tentativas, talvez seja mais saudável simplesmente abandonar o barco e seguir adiante. 





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Psicóloga Maristela Vallim Botari

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