Psicóloga comenta: Por que os elogios incomodam algumas pessoas?


Já percebeu que muitas pessoas sentem um certo desconforto quando recebem elogios? Em teoria, um elogio deveria ser algo agradável. Afinal, ele representa o reconhecimento de qualidades, esforços ou características positivas de alguém.

Por que os elogios às vezes incomodam tanto?

Já percebeu que muitas pessoas sentem um certo desconforto quando recebem elogios?
Em teoria, um elogio deveria ser algo agradável. Afinal, ele representa o reconhecimento de qualidades, esforços ou características positivas de alguém.

Elogiar, de modo geral, tem uma função social importante. Quando uma criança é elogiada por ter feito a lição corretamente, por exemplo, a intenção costuma ser reforçar aquele comportamento. O elogio funciona, nesse caso, como um estímulo para que a atitude positiva se repita.

No entanto, na prática, a experiência de receber um elogio nem sempre é tão simples. Muitas pessoas — inclusive profissionais muito competentes e reconhecidos em suas áreas — relatam um estranho sentimento de incômodo quando são elogiadas. Algumas descrevem a sensação como vontade de “cavar um buraco e desaparecer”.

Se o elogio é algo aparentemente positivo, por que ele pode provocar desconforto?

Uma das explicações possíveis está relacionada ao modo como as pessoas percebem a exposição social. 

Receber um elogio frequentemente significa ser colocado em evidência. E estar em evidência pode gerar uma sensação de responsabilidade ou cobrança implícita. Quando alguém é elogiado por determinada característica — pontualidade, inteligência, competência — pode surgir a impressão de que agora existe uma expectativa permanente de corresponder àquela imagem. 

A pessoa pode passar a se sentir pressionada a manter aquele padrão o tempo todo, como se qualquer pequeno deslize pudesse frustrar quem fez o elogio.

Outro aspecto envolve as dinâmicas sociais. Em alguns contextos, o elogio pode despertar comparações ou rivalidades. 

Em ambientes competitivos, ser destacado positivamente pode gerar receio de despertar inveja, ciúme ou ressentimento em outras pessoas. Esse temor nem sempre é consciente, mas pode contribuir para que o elogio seja recebido com cautela ou desconforto.

Há também situações em que o elogio pode ser percebido como um fator de distanciamento social. 

Algumas pessoas temem que o destaque provoque mudanças nas relações — como se o reconhecimento pudesse alterar o equilíbrio entre amigos, colegas ou familiares. Em determinados grupos, ser elogiado publicamente pode gerar a sensação de estar se afastando da posição de igualdade que antes existia.

Outro elemento importante diz respeito à confiança. Quando o elogio vem de pessoas muito próximas — como pais ou familiares — ele costuma ser recebido com mais naturalidade, pois existe um vínculo afetivo claro. 

Já quando o elogio parte de alguém com quem não há uma relação consolidada, podem surgir dúvidas sobre a intenção por trás daquele gesto. 

A pessoa pode se perguntar se o elogio é genuíno ou se existe alguma expectativa implícita de retribuição, favorecimento ou aprovação.

Por que os elogios incomodam algumas pessoas? 

Do ponto de vista psicológico, esse desconforto também pode estar relacionado à forma como cada indivíduo construiu sua autoimagem ao longo da vida. 

Em pessoas com níveis elevados de autocrítica ou com crenças negativas sobre si mesmas, o elogio pode entrar em conflito com a maneira como elas se percebem. 

Esse fenômeno é discutido em estudos da Psicologia Social e da Psicologia Cognitiva, que descrevem como as pessoas tendem a buscar coerência entre as informações externas e suas crenças internas. Quando alguém que se percebe como “insuficiente” ou “não tão bom assim” recebe um elogio, pode surgir um sentimento de estranhamento ou até desconfiança.

Além disso, pesquisas em Psicologia do Desenvolvimento indicam que o modo como aprendemos a lidar com elogios na infância também influencia essa reação. Crianças que cresceram em ambientes muito críticos ou pouco afetivos podem desenvolver dificuldade em aceitar reconhecimento, pois não estão acostumadas a receber validação positiva.

Diante disso, uma pergunta prática costuma surgir: como lidar com um elogio?

Apesar do desconforto que ele possa provocar em algumas situações, a forma mais simples e elegante de receber um elogio costuma ser também a mais direta: agradecer. Aceitar o reconhecimento não significa arrogância nem superioridade. Significa apenas reconhecer que alguém percebeu algo positivo.

Minimizar o elogio, negar completamente ou responder com autodepreciação muitas vezes cria um constrangimento desnecessário para quem o fez. Um simples “obrigado” costuma ser suficiente.


Conteúdo informativo desenvolvido pela 

Psicóloga SP - Maristela Vallim Botari

CRP-SP 06-121677

sem a finalidade de substituir a consulta psicológica, nem esgotar o tema.

Trata-se apenas de um convite à reflexão

 Como a psicóloga pode ajudar nesse processo

Na psicoterapia, o trabalho é organizado de modo a possibilitar a identificação de padrões emocionais e comportamentais que se repetem ao longo da história do indivíduo, afetando relacionamentos, autoestima ou bem-estar emocional. Também envolve a análise das circunstâncias em que determinadas reações surgem, incluindo seus contextos e possíveis gatilhos.

São examinadas as formas de interpretação das situações e a maneira como a pessoa se percebe dentro de suas relações. Recursos psicológicos de enfrentamento podem ser explorados dentro do enquadre clínico, assim como questões relacionadas a posicionamento pessoal e clareza interna.

A Psicóloga sp conduz a sessão de terapia de maneira individualizada, considerando a singularidade de cada trajetória e o ritmo próprio de elaboração.

Atendimento em Terapia Cognitivo-Comportamental com Acolhimento Humanizado, 

Importante destacar que a psicoterapia não substitui cuidados médicos quando necessários, nem elimina completamente emoções difíceis — que fazem parte da experiência humana. Em vez disso, ela pode oferecer um momento estruturado para elaborar vivências, ampliar perspectivas e construir novas possibilidades de resposta diante das dificuldades.


 

 

Psicóloga SP Maristela Vallim Botari

CRP-SP 06-121677

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