Psicóloga comenta: fatores que influenciam sua Autoestima


A Psicóloga SP explica como a autoestima se constrói na prática — não a partir de elogios isolados, mas de consciência, posicionamento e relação interna consigo mesmo, a partir da releitura de diversos teóricos da Psicologia.
Índice do conteúdo
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O que é autoestima?


Autoestima: o que é e como compreender esse conceito na psicologia

 
Autoestima: O que é e como compreender

A autoestima é um conceito amplamente utilizado no senso comum, muitas vezes associado à vaidade, à aparência ou ao sucesso material. Embora essa interpretação não esteja completamente equivocada, ela é limitada. A experiência humana não pode ser reduzida apenas a critérios de beleza, status ou condição financeira.

Autoestima envolve algo mais amplo. Ela se relaciona com a maneira como cada pessoa se percebe no mundo e com o grau de satisfação que experimenta em relação a si mesma. Trata-se de uma forma de olhar para a própria trajetória, reconhecer características pessoais e desenvolver uma relação relativamente estável consigo.

 A autoestima não é fixa — ela oscila, amadurece e pode ser desenvolvida ao longo do tempo. 

A Autoestima na Psicologia

A definição clássica de autoestima de Nathaniel Branden (1995) é uma das mais citadas na literatura psicológica popular e aplicada. Ele descreve a autoestima como composta por dois elementos centrais: a confiança na própria capacidade de lidar com a vida e o sentimento de merecimento de felicidade.

Uma formulação bastante conhecida do autor é:

“Autoestima é a disposição para experimentar a si mesmo como competente para lidar com os desafios básicos da vida e como merecedor de felicidade.”

Segundo Branden (1995), a autoestima envolve dois aspectos principais:

1. Sentimento de competência pessoal
Refere-se à confiança de que somos capazes de compreender situações, tomar decisões e enfrentar desafios cotidianos.

2. Sentimento de valor pessoal
Relaciona-se à percepção de que somos dignos de respeito, cuidado e felicidade.

De forma geral, a autoestima pode ser compreendida como o conjunto de atitudes e avaliações que o indivíduo dirige a si próprio, envolvendo percepções sobre valor pessoal, competência e a maneira como interpreta suas experiências. Assim, ela não depende apenas de fatores externos, mas também da forma como cada pessoa constrói internamente a compreensão sobre si mesma.

Componentes psicológicos da autoestima

Embora existam diferentes modelos teóricos, muitos autores apontam que a autoestima envolve alguns elementos recorrentes relacionados à forma como o indivíduo se percebe e se avalia.

  • Senso de valor pessoal
  • Percepção de competência
  • Reconhecimento de qualidades e limitações
  • Capacidade de lidar com erros e frustrações
  • Forma de interpretar conquistas e dificuldades

Esses fatores não são estáticos. Eles podem se modificar ao longo da vida, influenciados por experiências, relações sociais, contexto cultural e processos de desenvolvimento psicológico. 

Existem diversas teorias psicológicas que abordam a questão da autoestima. Algumas das mais relevantes são:

Teoria da Hierarquia de Necessidades de Maslow: de acordo com Maslow, a autoestima é uma necessidade básica do ser humano, que está presente na segunda camada de sua hierarquia de necessidades. 

Ele divide a autoestima em dois tipos: estima por si mesmo (que se refere à autoconfiança, autoestima e sentimento de capacidade) e o respeito das outras pessoas (que se refere ao status, reconhecimento e prestígio).

Teoria do Eu Real e Ideal de Rogers: de acordo com Rogers, a autoestima é influenciada pela distância entre o eu real (como a pessoa se percebe no presente) e o eu ideal (como a pessoa gostaria de ser). 


Quanto maior a distância entre esses dois, menor a autoestima.


Teoria da Identidade de Erikson: Erikson acredita que a autoestima é construída na fase da adolescência, como resultado da resolução da crise de identidade. 

Ele argumenta que, para desenvolver uma autoestima saudável, o indivíduo precisa passar por um processo de exploração de diferentes papéis e identidades.

Teoria do Desenvolvimento Moral de Kohlberg: Kohlberg acredita que a autoestima está ligada ao desenvolvimento moral, e que os indivíduos que têm um senso de moralidade mais avançado tendem a ter uma autoestima mais elevada. 

Ele argumenta que a autoestima é influenciada pela capacidade de fazer escolhas autônomas e por valores pessoais sólidos.

Teoria da Autoeficácia de Bandura: de acordo com Bandura, a autoestima está ligada à autoeficácia, que se refere à crença do indivíduo em sua capacidade de realizar uma tarefa. 

Ele argumenta que a autoestima é influenciada pela experiência de sucesso ou fracasso em uma tarefa, e que o desenvolvimento da autoeficácia pode levar a um aumento na autoestima.
 

Aparência não define autoestima

É comum associar autoestima a aparência, desempenho ou sucesso social. No entanto, esses aspectos representam apenas uma parte da experiência humana e não são suficientes para definir a relação que alguém estabelece consigo mesmo.

Duas pessoas podem apresentar condições externas semelhantes e, ainda assim, avaliar a si mesmas de formas muito diferentes. Por essa razão, a psicologia considera que a autoestima está mais relacionada à experiência subjetiva do indivíduo do que a indicadores externos isolados.

A autoestima como processo psicológico

A autoestima não é uma característica fixa ou permanente. Ela pode variar ao longo da vida conforme novas experiências são incorporadas e reinterpretadas.

Mudanças de contexto, desafios pessoais, relações significativas e processos de amadurecimento psicológico podem influenciar a maneira como a pessoa se percebe.

Por isso, muitos estudos tratam a autoestima como um processo dinâmico, que se desenvolve e se transforma ao longo do tempo.

 

 Referências

Branden, Nathaniel. Os seis pilares da autoestima. São Paulo: Saraiva, 1995. 

DINI, Gal Moreira; RODRIGUES, Mariana; FERRIRA, Lidia Masako.
Adaptação Cultural e validação da versão Brasileira da escala de autoestima de Rosemberg.
São Paulo.
Revista Soc. Bras. Cirurgia Plástica
V. 19; N1, p. 41-52, jan/abr 2004

 

Rosenberg, M. Society and the Adolescent Self-Image. Princeton: Princeton University Press, 1965.

Dini, G. M.; Rodrigues, M.; Ferreira, L. M. Adaptação cultural e validação da versão brasileira da Escala de Autoestima de Rosenberg. Revista da Associação Médica Brasileira, 2004.

Orth, U.; Robins, R. W. The development of self-esteem. Current Directions in Psychological Science, 2014.

 



 Conteúdo informativo desenvolvido pela Psicóloga Maristela Vallim Botari

CRP-SP 06-121677

sem a finalidade de substituir a consulta psicológica, nem esgotar o tema.

 

Atendimento psicológico

Psicóloga Maristela Vallim Botari — CRP-SP 06-121677 — atua com psicoterapia baseada em abordagem cognitivo-comportamental e acolhimento clínico individualizado, em atendimentos online e presenciais. O processo terapêutico é conduzido de respeitando a singularidade de cada pessoa.



Perguntas frequentes sobre autoestima

Autoestima é o mesmo que autoconfiança?

Não necessariamente. A autoconfiança costuma estar relacionada à crença na própria capacidade de realizar tarefas ou enfrentar desafios. A autoestima é um conceito mais amplo, que envolve a avaliação global que a pessoa faz de si mesma.

Autoestima depende da aparência?

A aparência pode influenciar a forma como algumas pessoas se percebem, mas não define a autoestima. O fator central está na interpretação subjetiva que o indivíduo constrói sobre si mesmo e suas experiências.

A autoestima muda ao longo da vida?

Sim. A autoestima pode se modificar em diferentes fases da vida, sendo influenciada por experiências pessoais, relações sociais, desenvolvimento psicológico e contextos culturais.

Melhorar a autoestima não significa “sentir-se bem o tempo todo”, mas construir uma relação interna mais justa, menos punitiva e mais consciente.

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