Terapia infantil: quando começar, como funciona e quando parar
A terapia infantil pode ser indicada em diferentes momentos da vida de uma criança.
Nem sempre existe um problema grave ou um diagnóstico para que os pais procurem uma psicóloga.
Às vezes, a mudança no comportamento, uma dificuldade na escola, problemas para lidar com emoções ou uma fase de muitas mudanças já podem ser motivos para buscar ajuda.
Mas como saber quando é hora de começar?
Como funciona a terapia com crianças? E, depois de algum tempo, como saber quando é possível parar?
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Quando começar a Terapia Infantil
Não existe uma idade única ou uma regra que determine quando uma criança deve fazer terapia.
A necessidade depende da história, da idade, do comportamento e das dificuldades que ela está vivendo.
Algumas mudanças podem ser passageiras e fazer parte do desenvolvimento. Outras, porém, persistem, causam sofrimento ou começam a afetar a vida da criança em casa, na escola ou nas relações com outras pessoas.
Entre as situações que podem levar os pais a procurar uma psicóloga estão:
Isso não significa que toda criança que apresente um desses comportamentos precise necessariamente de terapia.
O papel da anamnese psicológica é justamente compreender o que está acontecendo antes de definir como será o acompanhamento.
Como saber se meu filho precisa de psicóloga?
Uma pergunta bastante comum dos pais é: “Será que isso é apenas uma fase ou meu filho precisa de ajuda?”
Nem sempre é possível responder apenas observando um comportamento isolado.
Uma criança pode ficar mais irritada durante uma mudança de escola, por exemplo.
Outra pode apresentar medo depois de uma experiência difícil. Esses comportamentos podem fazer parte de um período de adaptação.
O que merece atenção é quando a dificuldade permanece, aumenta, causa sofrimento ou começa a prejudicar outras áreas da vida.
O Psicodiagnóstico permite olhar para o contexto e compreender a criança de forma mais ampla, sem reduzir sua história a um único comportamento.
Como funciona a Terapia Infantil
A terapia infantil é diferente da terapia realizada com adultos porque a criança ainda está desenvolvendo recursos para compreender e expressar aquilo que sente.
Por isso, a psicóloga pode utilizar recursos adequados à idade e ao desenvolvimento da criança.
Brincadeiras, desenhos, histórias, jogos e outras atividades podem fazer parte do processo quando forem úteis para aquele caso.
Isso não significa simplesmente “brincar com a criança”.
As atividades lúdicas são utilizadas como recursos para favorecer a comunicação, a observação e a compreensão de sentimentos, pensamentos e comportamentos.
A forma de trabalhar também muda conforme a idade.
Uma criança pequena pode ter mais dificuldade para explicar diretamente o que está sentindo.
Já crianças maiores e adolescentes podem participar de conversas mais estruturadas e compreender melhor determinadas orientações.
Como é a primeira sessão?
A primeira sessão de terapia infantil é um momento de conhecer a história da criança e compreender o motivo que levou a família a procurar atendimento.
Os pais ou responsáveis podem trazer informações sobre o desenvolvimento, a rotina, a escola, os relacionamentos e as mudanças percebidas.
Também é importante compreender como a própria criança percebe aquilo que está acontecendo.
O vínculo é uma parte importante desse primeiro momento.
A criança precisa encontrar um espaço em que possa se expressar de maneira compatível com sua idade, sem sentir que está sendo julgada ou interrogada.
Os pais participam da terapia infantil?
A participação dos pais pode ser importante, mas isso não significa que eles estarão presentes em todos os momentos.
A forma de participação depende da idade da criança, da situação apresentada e dos objetivos do acompanhamento.
Em alguns momentos, a psicóloga pode conversar diretamente com os responsáveis para compreender melhor determinada situação ou orientar sobre formas de lidar com alguma dificuldade.
Também pode ser necessário conversar com os pais sobre mudanças observadas durante o processo.
O acompanhamento da criança, portanto, não acontece de forma isolada da família. O contexto em que ela vive também faz parte da compreensão do caso.
A criança precisa querer fazer terapia?
Nem sempre a criança entende por que os pais estão procurando uma psicóloga.
É comum que, no início, ela tenha dúvidas, vergonha, resistência ou até não queira conversar.
Isso não significa que a terapia não possa acontecer.
A construção do vínculo ocorre aos poucos. A criança precisa ter tempo para conhecer aquele espaço e perceber que não está ali para receber broncas ou ser avaliada como “certa” ou “errada”.
Por isso, a maneira como os adultos apresentam a terapia também pode fazer diferença.
Quanto tempo dura a terapia infantil?
Não existe um número fixo de sessões que sirva para todas as crianças.
A duração depende da situação apresentada, dos objetivos definidos ao longo do processo e da evolução observada.
Algumas dificuldades podem ser trabalhadas em um período mais curto. Outras exigem um acompanhamento mais longo.
Por isso, estabelecer antecipadamente que toda criança deve fazer terapia durante determinado número de meses pode não fazer sentido.
O processo deve ser acompanhado de forma individualizada.
O que a terapia infantil pode desenvolver?
A infância é uma fase marcada por descobertas, mudanças e aprendizagem. Nesse período, a criança ainda está construindo maneiras de compreender o mundo, lidar com frustrações e estabelecer relações. Por isso, cuidar do seu bem estar também envolve olhar para suas emoções e para a forma como ela enfrenta as situações do dia a dia.
Durante a terapia, podem ser trabalhadas habilidades importantes para o desenvolvimento emocional. O objetivo não é ensinar a criança a esconder o que sente, mas ajudá-la a reconhecer e compreender suas emoções para encontrar formas mais adequadas de lidar com elas.
Esse trabalho pode envolver desenvolvimento de habilidades relacionadas à comunicação, resolução de problemas, reconhecimento das emoções, tolerância à frustração e relacionamento com outras pessoas.
Como a criança se expressa durante a terapia?
Nem sempre é fácil para uma criança explicar com palavras aquilo que está sentindo. Dependendo da idade, ela pode demonstrar seus sentimentos por meio de mudanças no comportamento, desenhos, histórias, jogos ou brincadeiras.
Por isso, as atividades lúdicas podem fazer parte do atendimento. A brincadeira é uma das formas pelas quais a criança explora o mundo e se comunica.
Durante o acompanhamento, a psicóloga pode utilizar recursos que favoreçam que as crianças expressem seus sentimentos de maneira compatível com sua idade e seu nível de desenvolvimento.
Isso permite compreender melhor não apenas aquilo que a criança fala, mas também o contexto em que determinados comportamentos aparecem.
Toda terapia infantil é igual?
Não. A forma de trabalhar pode variar conforme a idade, a demanda apresentada, a história da criança e sua forma de compreender e reagir às situações.
Por isso, não existe um único tipo de terapia que possa ser aplicado da mesma maneira a todas as crianças.
A terapia cognitiva comportamental, por exemplo, pode utilizar estratégias adequadas à infância para trabalhar pensamentos, emoções e comportamentos.
A escolha dos recursos deve considerar aquilo que faz sentido para aquela criança e para os objetivos definidos no acompanhamento.
Terapia infantil é apenas para tratar problemas?
Não necessariamente.
A terapia infantil é também um espaço de compreensão e cuidado que pode ser procurado diante de mudanças, perdas, dificuldades de adaptação ou situações que estejam exigindo mais recursos emocionais da criança.
Nem toda criança que passa por uma dificuldade apresenta um transtorno psicológico.
Em muitos casos, o primeiro passo é simplesmente compreender o que está acontecendo e avaliar se existe necessidade de uma intervenção terapêutica.
Essa avaliação também ajuda a diferenciar comportamentos esperados para determinada fase do desenvolvimento de dificuldades que merecem maior atenção.
A família também faz parte do processo
Quando falamos em terapia infantil, não estamos olhando apenas para a criança de forma isolada.
A família, a escola e os demais ambientes em que ela convive podem influenciar sua forma de pensar, sentir e agir.
Por isso, o processo terapêutico pode incluir momentos de orientação e conversa com os responsáveis.
Compreender o contexto ajuda a perceber o que pode estar contribuindo para determinadas dificuldades emocionais e quais mudanças podem favorecer o desenvolvimento da criança.
Esse olhar também é importante quando falamos em crianças e adolescentes, pois cada fase apresenta características e necessidades próprias.
Quando buscar ajuda?
Nem sempre os responsáveis conseguem saber sozinhos se determinada mudança faz parte de uma fase passageira ou se merece uma avaliação.
Buscar ajuda não significa afirmar que existe um problema grave.
Pode significar apenas procurar alguém preparado para ajudar a compreender uma situação que está gerando dúvidas, sofrimento ou preocupação.
Quando necessário, a avaliação psicológica pode indicar se o acompanhamento é adequado, qual abordagem pode ser utilizada e quais objetivos podem ser trabalhados.
O cuidado com a saúde mental começa, muitas vezes, justamente quando os adultos conseguem olhar para o comportamento da criança com curiosidade e não apenas com julgamento.
Além disso, compreender a criança não significa concordar com todos os seus comportamentos. Significa procurar entender o que existe por trás deles e quais recursos podem ajudá-la a lidar melhor com aquilo que está vivendo.
Quais podem ser os benefícios da terapia infantil?
Os benefícios da terapia infantil não são iguais para todas as crianças, pois dependem da situação que levou ao atendimento e dos objetivos definidos durante o acompanhamento.
Entre os aspectos que podem ser trabalhados estão a identificação e expressão das emoções, a comunicação, a autoestima, a relação com outras pessoas, a capacidade de lidar com frustrações e o desenvolvimento de novas estratégias diante de situações difíceis.
O foco não é transformar a criança em alguém que nunca fique triste, irritado ou frustrado.
Essas emoções fazem parte da vida.
O trabalho psicológico pode ajudá-la a compreender melhor essas experiências e encontrar formas mais saudáveis de lidar com elas.
Um olhar para cada criança
Não existe uma fórmula única para o acompanhamento psicológico na infância. Cada momento das crianças é uma forma de expressão particular.
Cada criança tem sua própria história, seu ritmo de desenvolvimento, suas relações e sua maneira de expressar aquilo que sente.
Por isso, mais importante do que escolher uma psicoterapia infantil apenas pelo nome é compreender a necessidade apresentada e construir uma intervenção adequada àquela situação.
A terapia deve ser um momento em que a criança possa ser compreendida, desenvolver recursos e participar gradualmente do próprio processo de mudança.
Quando parar a Terapia Infantil
Decidir quando parar a terapia infantil é uma decisão importante e deve ser tomada com cuidado.
A Psicóloga Sp Maristela Vallim Botari destaca que, assim como na terapia para adultos, não há um momento único que se aplique a todas as crianças.
No entanto, existem alguns sinais e considerações que podem ajudar a determinar se é o momento certo para encerrar ou pausar o tratamento.
Um dos principais indicadores de parar a terapia infantil é a sensação de que os objetivos estabelecidos foram alcançados.
Metas atingidas
Se a criança, junto com seus pais e a Psicóloga, percebe que as metas terapêuticas foram atingidas e que houve melhorias significativas nos comportamentos e nas emoções, pode ser um sinal de que o processo cumpriu seu propósito inicial.
O que observar no desenvolvimento:
- ✔ Auto-regulação: A criança maneja emoções de forma mais independente.
- ✔ Habilidades Sociais: Melhoria nas interações e resolução de conflitos.
- ✔ Estabilidade: Mudanças positivas mantidas consistentemente no dia a dia.
A Psicóloga é focada em observar que, ao longo do processo, as crianças aprendem a aplicar essas ferramentas sem a necessidade de orientação constante. Se os pais notam essa segurança, a alta pode ser discutida.
É essencial considerar que a jornada emocional não é linear.
Algumas crianças podem se beneficiar de pausas e retornar mais tarde.
A Psicóloga SP Maristela Vallim Botari enfatiza que é totalmente normal voltar ao suporte profissional em diferentes fases da vida, conforme novos desafios surgem.
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