Ser autossuficiente é ruim?



Outro dia, eu estava acompanhando um evento que falava sobre “defeitos e qualidades” — (mais à frente explicarei as aspas) — quando mencionaram, entre os “defeitos”, a autossuficiência. Registrei mentalmente a informação e continuei prestando atenção para ver se alguém se oporia. Ninguém se opôs.

Ser autossuficiente é ruim?

Na hora, pensei: “Oh-oh... acho que não estou entendendo muito bem”, porque, até então, eu nunca havia pensado sobre a autossuficiência como uma característica negativa.

Mas, antes de discorrer sobre o tema, preciso explicar as aspas acima: em Psicologia, não costumamos falar em defeitos e qualidades, e sim em características que podem ser favoráveis ou desfavoráveis dependendo do contexto.

Mas, voltando à autossuficiência...

De acordo com o Dicionário Michaelis, autossuficiência é a “qualidade ou condição de autossuficiente”, isto é, da pessoa que basta a si mesma, demonstrando independência e autonomia.

O termo também pode ser entendido como independência, autonomia ou confiança na própria capacidade de agir e decidir.

A palavra é formada por:

  • auto = por si mesmo
  • suficiência = condição do que é suficiente

Ou seja, literalmente, autossuficiência significa “ser suficiente para si mesmo”.

 

Quando a autossuficiência pode ser uma característica positiva?

Atitudes de autossuficiência podem ser consideradas favoráveis quando uma pessoa (ou até mesmo um grupo) consegue criar soluções para os próprios problemas de maneira independente, sem onerar os outros. Em outras palavras, são aquelas pessoas que, popularmente falando, “não querem dar trabalho”.

Isso não significa isolamento ou frieza emocional, mas sim a capacidade de lidar com determinadas situações utilizando os próprios recursos internos. Em muitos contextos, essa característica pode ser extremamente adaptativa.

Geralmente, a autossuficiência se desenvolve por alguns motivos:

  1. Porque a pessoa consegue resolver seus problemas sem ajuda
    Ao longo da vida, ela desenvolveu repertório comportamental, experiências e habilidades que permitem enfrentar dificuldades de forma mais independente.

  2. Porque não quer sobrecarregar os outros
    Algumas pessoas evitam depender emocionalmente, financeiramente ou fisicamente de terceiros por preocupação, cuidado ou até senso de responsabilidade.

  3. Porque a própria capacidade de agir se retroalimenta
    Quanto mais a pessoa resolve situações sozinha, mais confiança desenvolve em sua própria capacidade. Assim, agir de forma independente passa a se tornar algo cada vez mais natural.

Em muitos casos, a autossuficiência está relacionada à autonomia, maturidade emocional, senso de responsabilidade e capacidade de adaptação. 

A autossuficiência pode, algumas vezes, ser interpretada como orgulho, frieza ou arrogância. No entanto, na maior parte dos casos, não se trata disso.

Todas as pessoas precisam desenvolver, em maior ou menor grau, certa autonomia diante das decisões e dificuldades da vida, até porque ninguém consegue viver dependendo integralmente dos outros. 

Em muitos casos, a tentativa de “não dar trabalho” surge justamente da compreensão de que as outras pessoas também possuem inúmeros problemas, responsabilidades e limitações.

Além disso, indivíduos autossuficientes frequentemente desenvolveram essa capacidade ao longo de experiências difíceis — emocionais, financeiras, familiares ou sociais. Em determinadas histórias de vida, a pessoa simplesmente não encontrou outra alternativa além de “se virar sozinha”.

Com o tempo, aprender a resolver problemas sem apoio pode deixar de ser apenas uma necessidade circunstancial e passar a fazer parte da maneira como aquele indivíduo se relaciona com o mundo.

 

Quando a autossuficiência pode ser uma característica negativa?

Embora a autossuficiência possa ser uma característica admirável, ela também possui limites. Dependendo do contexto, insistir em resolver tudo sozinho pode deixar de ser algo saudável e passar a gerar prejuízos.

Um dos limites é o fator tempo: se as tentativas de fazer tudo sozinho estão consumindo um tempo excessivo — tempo esse que poderia ser utilizado de maneira mais produtiva —, então talvez exista um problema. Em algumas situações, pedir ajuda ou dividir tarefas não é sinal de fraqueza, mas de inteligência prática.

O segundo ponto envolve o fator risco. Se a pessoa insiste em fazer sozinha algo que envolve perigo físico, emocional, financeiro ou profissional, novamente encontramos um problema. Há situações em que apoio, orientação técnica ou cooperação são necessários justamente para reduzir danos e aumentar a segurança.

O terceiro ponto aparece quando a autossuficiência impede vínculos saudáveis. Algumas pessoas se acostumam tanto a resolver tudo sozinhas que passam a ter dificuldade em confiar, compartilhar dores, pedir apoio ou aceitar cuidado. 

Nesses casos, a independência deixa de ser apenas autonomia e pode acabar se transformando em isolamento emocional.

  Outro ponto relevantíssimo ocorre quando a autossuficiência passa a abranger também os outros. Ou seja: a pessoa não apenas tenta dar conta da própria vida, como também assume a responsabilidade de resolver os problemas alheios.

Nesse momento, a autossuficiência pode começar a se transformar na chamada “síndrome do super-herói”. A pessoa acredita — consciente ou inconscientemente — que precisa salvar, proteger, sustentar ou resolver tudo para todos.

À primeira vista, isso pode até parecer altruísmo, força ou generosidade. E, de fato, muitas vezes existe boa intenção envolvida. O problema surge quando o indivíduo passa a carregar responsabilidades que não são dele, ultrapassando os próprios limites físicos, emocionais e financeiros.

Com o tempo, isso pode gerar sobrecarga, exaustão emocional, frustração e até ressentimento. Afinal, ninguém consegue sustentar o mundo inteiro sozinho. .

Em alguns casos, existe também uma dificuldade emocional em aceitar vulnerabilidade, descanso ou ajuda. Assim, “ser forte o tempo todo” deixa de ser apenas uma característica e passa a funcionar quase como uma obrigação interna.

CONCLUSÃO

Ou seja: a autossuficiência costuma ser positiva quando amplia a autonomia e a capacidade de ação. Porém, quando impede cooperação, afasta relações ou leva a pessoa a carregar tudo sozinha o tempo inteiro, ela pode se tornar desgastante e até prejudicial.



 

Você não precisa enfrentar isso sozinho(a)

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Como a psicóloga pode ajudar?

Na psicoterapia, o trabalho é organizado para possibilitar a identificação de padrões emocionais e comportamentais que se repetem ao longo da história do paciente e acabam por afetar relacionamentos, autoestima ou bem-estar emocional.

A análise das circunstâncias em que determinadas reações surgem, incluindo seus contextos e possíveis gatilhos, pode ser realizada. São examinadas as formas de interpretação das situações e a maneira como a pessoa se percebe dentro de suas relações. Recursos psicológicos de enfrentamento podem ser explorados, assim como questões de posicionamento pessoal.

A sessão de terapia é conduzida de maneira individualizada, considerando a singularidade de cada pessoa.

Psicóloga Sp Maristela Vallim Botari

CRP-SP 06-121677

Psicóloga clínica com mais de 12 anos de experiência. A tcc com acolhimento humanizado pode ser integrada para auxiliar na compreensão da singularidade de cada história.

"Considero que somos mais do que a soma das partes, e meu trabalho consiste em ajudar o cliente a montar o quebra-cabeça da vida, juntando peças que aparentemente não fazem sentido separadamente."

◈ Especialidades

  • Valor: R$ 119,00 (1ª sessão) -  R$ 159,00 (recorrentes) 
    Sessões de 50 minutos
  • Localização e Contato

    Terapia na Avenida Paulista, SP

    Av. Paulista, 2001 – Cj 1911 – 19º andar.

    Whatsapp: (11) 95091-1931

    Conteúdo informativo desenvolvido pela  Psicóloga SP Maristela Vallim Botari CRP-SP 06-121677
    Este material possui caráter reflexivo e não substitui a consulta psicológica, nem tem a pretensão de esgotar os assuntos. Leia outros artigos no Blog da Psicóloga

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    Sou Maristela Vallim Botari, psicóloga (CRP-SP 06/121677). Trabalho com Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) com acolhimento humanizado.

    A abordagem está a serviço da pessoa, nunca o contrário.

    Aqui você não é um rótulo, um número de prontuário ou um código de CID. Você é uma pessoa, com uma história que merece ser ouvida sem pressa e sem julgamentos.

    Psicóloga SP: mais do que uma profissão, um encontro com o outro

    Ser psicóloga é mais do que exercer uma profissão.

    É dedicar uma parte de si à compreensão das pessoas, de suas histórias, de suas dores, de suas angústias, seus vazios e também de suas possibilidades.

    É muito mais do que conhecer teorias, estudar comportamentos ou aprender diferentes técnicas.

    É saber olhar para cada pessoa como alguém único, compreendendo que aquilo que funciona para uma história pode não fazer sentido para outra.

    Ser psicóloga exige, muitas vezes, que nos coloquemos no lugar do outro, para ouvir seus relatos, não apenas com os ouvidos, mas com a sensibilidade. Isto é empatia.

    Ser psicóloga é saber quando e como falar coisas agradáveis ou desagradáveis; quando calar, quando encaminhar e quando dizer não. Isso é acolhimento humanizado.

    Ser psicóloga é propor orientações, acolhimentos e atividades que façam sentido para a pessoa e que possam contribuir para sua melhora. Isso é psicoeducação.

    Ser psicóloga também é ouvir tudo, qualquer coisa, sem julgar, e guardar tudo isso a sete chaves. Isto é ética.

    E talvez seja justamente aí que esteja uma das partes mais bonitas da psicologia: compreender que cada pessoa chega à terapia trazendo uma história que não pode ser resumida a um diagnóstico, a uma queixa ou a algumas palavras.

    Às vezes, a pessoa chega cansada de tentar explicar o que sente.

    Outras vezes, nem sabe exatamente o que está sentindo.

    Sabe apenas que alguma coisa mudou, que perdeu o prazer pelas coisas, que está ansiosa, triste, irritada ou simplesmente exausta de sustentar tudo sozinha.

    Há quem procure uma psicóloga em São Paulo porque deseja entender melhor seus relacionamentos.

    Há quem esteja enfrentando dificuldades no trabalho, uma separação, uma fase de insegurança ou uma sensação persistente de não conseguir dar conta da própria vida.

    E há também quem procure ajuda simplesmente porque percebeu que não quer continuar vivendo determinadas situações da mesma maneira.

    A psicoterapia pode ser esse espaço de pausa.

    Um lugar onde seja possível na terapia, organizar pensamentos, compreender sentimentos e olhar para algumas situações por outros ângulos.

    A busca pela excelência na psicologia não se resume a seguir protocolos à risca ou dominar procedimentos técnicos. Embora o conhecimento científico seja essencial, a verdadeira excelência está na capacidade de aplicar esse conhecimento de forma inteligente e sensível às necessidades de cada paciente. Ela exige percepção, adaptabilidade e atenção às particularidades de cada história de vida.

    Psicóloga SP - Presencial na Av. Paulista ou online, onde você estiver

    Terapia presencial na Avenida Paulista, perto do Metrô Consolação, e terapia online para todo o Brasil. Nos dois formatos, o cuidado e o sigilo profissional são os mesmos. Você escolhe o que fizer mais sentido para a sua rotina e o seu momento.

    Para quem é a terapia

    Terapia Individual – para adultos cuidarem das emoções, das relações e do desenvolvimento pessoal.

    Terapia de Casal – para reencontrar o diálogo, atravessar conflitos e entender o momento da relação.

    Terapia para Adolescentes – escuta atenta para uma fase de muitas mudanças, respeitando a privacidade do jovem.

    Terapia Infantil – acompanhamento cuidadoso, com orientação aos pais ou responsáveis.

    Terapia para Idosos – acolhimento para as transições e questões próprias dessa etapa da vida.

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