O Comportamento das Pessoas Apaixonadas
Por: Psicologa Maristela Vallim Botari
CRP-SP 06-121677
Estar apaixonado pode impactar significativamente o comportamento, os pensamentos e as emoções.
Muitas pessoas relatam uma sensação de paz, bem-estar emocional e uma felicidade quase indescritível.
Esse estado pode parecer totalmente benéfico — e, em muitos aspectos, realmente é. No entanto, existe também um contraponto importante.
De acordo com a pesquisadora Helen Fisher (2004), uma das maiores estudiosas do amor romântico, as pessoas apaixonadas tendem a perder parcialmente o senso crítico e, em alguns casos, podem cometer deslizes impulsivos.
Neste artigo, vamos ampliar a compreensão sobre o tema, sem a pretensão de esgotá-lo.
Índice
- O que é a paixão?
- Como pensam e agem as pessoas apaixonadas
- Como controlar essa avalanche de sentimentos
1) O que é a paixão?
Segundo a antropóloga e pesquisadora Helen Fisher, em pesquisas publicadas a partir da década de 1990, a paixão pode ser compreendida como um sistema biológico poderoso, relacionado ao mecanismo de recompensa do cérebro — é um fenômeno neuroquímico.
Quando alguém se apaixona, pode ocorrer uma intensa atividade cerebral associada à liberação de substâncias como:
- Dopamina – ligada ao prazer, motivação e sensação de recompensa.
- Noradrenalina – relacionada ao aumento da energia, excitação e atenção focada.
- Serotonina – que pode sofrer alterações, contribuindo para pensamentos recorrentes sobre a pessoa amada.
Essas alterações ajudam a explicar por que a paixão pode provocar euforia, aumento da energia, perda de apetite, insônia e uma sensação de foco quase obsessivo no ser amado.
Do ponto de vista biológico, a paixão funciona como um impulso que direciona o indivíduo para a conexão com o outro.
2) Como pensam e agem as pessoas apaixonadas
Em função dessas reações químicas, as pessoas apaixonadas tendem a pensar mais no ser amado e menos nas questões práticas da vida.
Seus pensamentos tendem a girar em torno da pessoa desejada: lembranças, mensagens, planos futuros e idealizações tornam-se constantes.
Não que isso esteja necessariamente errado.
A paixão pode aumentar a criatividade, a disposição e até a coragem para enfrentar desafios.
Entretanto, é preciso reconhecer que, nesse estado, o senso crítico pode ficar temporariamente reduzido.
A idealização do outro pode levar à minimização de defeitos e à supervalorização de qualidades. Pequenos sinais de alerta podem ser ignorados.
Além disso, a tomada de decisões pode se tornar mais impulsiva. Mudanças radicais, promessas precipitadas e comportamentos de risco podem surgir quando a emoção fala mais alto que a razão.
Por isso, embora a paixão seja uma experiência enriquecedora, é saudável manter certo equilíbrio entre emoção e racionalidade.
3) Como controlar essa avalanche de sentimentos
Eu sei que pode parecer pouco romântico o que vou dizer, mas precisa ser dito: é necessário usar a razão para perceber possíveis exageros.
Controlar a paixão não significa sufocar o sentimento, mas sim administrá-lo com consciência. Algumas atitudes para observar:
- Você está abrindo mão de valores pessoais importantes?
- Manter a própria rotina — Amigos, trabalho, estudos e hobbies não devem ser abandonados.
- Evitar decisões impulsivas — Grandes mudanças merecem reflexão.
Quando a lucidez parece difícil de manter, o conselho de amigos e familiares pode ser extremamente valioso. Pessoas de fora da relação tendem a ter uma visão mais equilibrada da situação.
Quando a paixão vira doença
Infelizmente, algumas pessoas deixam a paixão galopar até se transformar em um amor patológico, caracterizado por dependência emocional extrema, anulação da própria identidade e atitudes autodestrutivas para agradar o outro.
Nesses casos, buscar ajuda emocional pode ser um caminho importante para compreender o que está acontecendo internamente.
Considerações Finais
A paixão é uma das experiências humanas mais intensas e transformadoras.
Ela pode trazer felicidade, motivação e crescimento pessoal. Ao mesmo tempo, pode reduzir o senso crítico e levar a comportamentos impulsivos.
Equilibrar emoção e razão talvez seja o maior desafio de maturidade — quando se trata de amar.
Conteúdo informativo desenvolvido pela Psicóloga Maristela Vallim Botari
CRP-SP 06-121677, sem a finalidade de substituir a consulta psicológica, nem esgotar o tema.
Como a psicóloga pode ajudar nesse processo
Na psicoterapia, o trabalho é organizado de modo a possibilitar a identificação de padrões emocionais e comportamentais que se repetem ao longo da história do indivíduo, afetando relacionamentos, autoestima ou bem-estar emocional. Também envolve a análise das circunstâncias em que determinadas reações surgem, incluindo seus contextos e possíveis gatilhos.
São examinadas as formas de interpretação das situações e a maneira como a pessoa se percebe dentro de suas relações. Recursos psicológicos de enfrentamento podem ser explorados dentro do enquadre clínico, assim como questões relacionadas a posicionamento pessoal e clareza interna.
O processo é conduzido de maneira individualizada, considerando a singularidade de cada trajetória e o ritmo próprio de elaboração.
Atendimento em Terapia Cognitivo-Comportamental com Acolhimento Humanizado,
Importante destacar que a psicoterapia não substitui cuidados médicos quando necessários, nem elimina completamente emoções difíceis — que fazem parte da experiência humana. Em vez disso, ela pode oferecer um momento estruturado para elaborar vivências, ampliar perspectivas e construir novas possibilidades de resposta diante das dificuldades.
Psicóloga SP Maristela Vallim Botari
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