A Necessidade psicológica de aceitação e pertencimento
Então, bem-vindo ao grupo das pessoas que pertencem ao grupo dos que não sabem se pertencem.
Sim, o trocadilho foi proposital.
O objetivo deste artigo é simplesmente levantar uma reflexão em torno do tema do pertencimento, que, desde que o mundo é mundo, é conhecido por todos: os que pertencem, os que não pertencem, os que deveriam pertencer, mas não podem ou não devem; os que não querem pertencer; e sobretudo, daqueles que não pertencem — e talvez jamais pertençam.
O pertencimento é frequentemente tratado como uma necessidade humana fundamental. No entanto, a forma como esse conceito é utilizado pode, em muitos casos, transformar-se em uma armadilha ou em mais uma forma de exclusão.
Explico.
É muito frequente que alguém lute, de maneira voraz, utilizando todos os seus recursos para pertencer a um grupo do qual acredita que deveria fazer parte. Quando consegue, sente-se feliz e realizado. Porém, em pouco tempo, percebe que algo não está bem, e o sentimento de incômodo retorna.
E de onde vem esse sentimento de incômodo? Afinal, agora o indivíduo pertence ao tão sonhado grupo do qual sempre quis fazer parte.
Pois é justamente aí que está o problema: não existe pertencimento integral, exceto quando há uma perda quase total da identidade em prol do grupo. Isso é raro, mas, infelizmente, pode acontecer.
Explico: para que haja uma identificação de 100% com um grupo, seria necessário que as nuances individuais desaparecessem ou fossem camufladas. E não se trata apenas de fingir que pertence.
Trata-se de pertencer de verdade, muitas vezes ignorando a própria história, a própria formação ou deixando para trás valores nobres construídos ao longo da vida.
Pertencer ou Não pertencer? Eis a questão.
A transformação do pertencimento em um ideal social quase obrigatório pode ser uma dessas armadilhas. Hoje ouvimos frases como:
"Você precisa encontrar sua tribo."
"Você precisa pertencer."
"Se você não se sente pertencente, há algo errado."
É aí que começam os problemas. Muitas pessoas passam a acreditar que precisam pertencer ao grupo daqueles que pertencem a algum grupo.
A partir daí, podem criar duas ilusões.
1) A primeira é a de que pertencer é necessário para sobreviver emocionalmente em sociedade.
2) A segunda é a de que o não pertencimento representa uma anulação da própria personalidade.
E isso pode gerar uma enorme ansiedade, visto que essa ideia produz conflitos e, em alguns casos, verdadeiras crises existenciais. Algumas pessoas chegam a acreditar que só serão validadas como indivíduos se pertencerem a um grupo.
E, como foi dito anteriormente, entrar em um grupo pode gerar um conflito entre pertencer e abandonar os próprios valores, ou manter esses valores e não pertencer ao grupo.
Eis a grande questão: pertencer pode significar deixar de lado parte da própria história de vida, valores e até mesmo relacionamentos preciosos; não pertencer, por outro lado, pode manter a pessoa em um estado permanente de frustração.
Como se resolve essa equação?
Ok, a resposta não é óbvia. Se fosse, eu pertenceria ao grupo dos que têm certezas. E, sinceramente, não pertenço a esse grupo.
Prefiro "pertencer" ao grupo dos que duvidam e observam, procurando compreender essas nuances da personalidade humana e fazendo do meu trabalho uma forma de ajudar as pessoas a compreendê-las também.
Se, nesse processo, eu puder oferecer algum tipo de ajuda psicológica, já terá valido a pena.
Você não precisa enfrentar isso sozinho(a)
Se você chegou aqui, estava procurando por esclarecimento A Necessidade psicológica de aceitação e pertencimento
Caso seja do seu interesse, você encontrará as informações logo abaixo:
A necessidade patológica de aceitação
Quando essa busca se torna excessiva, há chances de se transformar em uma fonte de ansiedade.
Em casos mais extremos, pode haver sacrificio da individualidade para evitar a desaprovação alheia. É fundamental questionar: será que precisamos aceitar imposições externas para sermos aceitos?
Como a Terapia pode ajudar
- Na terapia humanizada, a busca por aceitação é abordada como parte da experiência do indivíduo, observando pensamentos e padrões internos sem julgamento. Há um reconhecimento das próprias falhas junto à valorização de qualidades e aspectos positivos do eu presente. Experiências de prazer e bem-estar são consideradas significativas por si mesmas, contribuindo para a ampliação da compreensão de si e da própria autoestima.
- A TCC - Terapia Cognitivo Comportamental pode auxiliar na identificação de padrões de pensamento que alimentam essa dependência. Na consulta com a Psicóloga, trabalha-se a aceitação de si como um processo gradual de validação dos próprios valores.
Visão de Especialistas
Autores como Brené Brown destacam a coragem de ser imperfeito. Carl Rogers enfatiza a aceitação incondicional como base do desenvolvimento pleno, enquanto Nathaniel Branden aponta que o amor-próprio é o pilar central da autoestima.
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