Terapia com IA's - pode me ajudar?

Fiz algumas pesquisas sobre o uso de IAs na terapia para me situar e compreender com o que exatamente estamos lidando, além de entender quem são as pessoas que procuram esse tipo de atendimento.

Estou tentando responder, com base em dados relevantes, se as terapias mediadas por IAs funcionam e, caso não funcionem, por quê. Também busco entender quem são essas pessoas que as buscam e como as IAs podem nos ajudar no setting terapêutico.

Conteúdo informativo desenvolvido pela  Psicóloga SP Maristela Vallim Botari CRP-SP 06-121677
Este material possui caráter reflexivo e não substitui a consulta psicológica, nem tem a pretensão de esgotar os assuntos. Leia outros artigos no Blog da Psicóloga  

As IAs vão substituir os psicólogos?

Este artigo não tem a pretensão de esgotar o tema (ainda mais sendo um tema tão novo), e também está isento de achismos — até porque sou leiga em IA. 

Mas serve como uma reflexão, um começo de conversa que não vai terminar tão cedo. 

Aliás, essa conversa está apenas começando. Vamos lá!!!

 
Terapia com IA's - pode me ajudar?
Primeiro, vamos definir quem são as IA's
 

De forma simples:

IA (Inteligência Artificial) é um sistema computacional treinado para reconhecer padrões em grandes volumes de dados e gerar respostas, previsões ou ações que imitam certas capacidades humanas, como linguagem, raciocínio ou tomada de decisão.

 

Psicoterapia é um processo de tratamento psicológico realizado por um profissional treinado (geralmente um psicólogo ou psicoterapeuta), baseado na conversa estruturada com o objetivo de aliviar sofrimento emocional, modificar padrões de pensamento e comportamento, e promover saúde mental e bem-estar.

Ela não é apenas “conversar”: envolve métodos, técnicas e abordagens teóricas específicas (como psicanálise, terapia cognitivo-comportamental, humanista, entre outras), que orientam a forma como o terapeuta escuta, interpreta e intervém.


Como a psicoterapia surgiu

A psicoterapia moderna começa a se estruturar no final do século XIX e início do século XX, principalmente com o trabalho de:

Sigmund Freud, considerado o fundador da psicanálise

  • Ele introduziu a ideia de que muitos sofrimentos psíquicos têm origens inconscientes e podem ser acessados pela fala e pela análise de experiências passadas.

A partir dele, surgiram e se desenvolveram outras abordagens:

Carl Rogers, que trouxe a ideia de escuta empática e foco na experiência subjetiva da pesso. 

  • Rogers foi o fundador da Abordagem Centrada na Pessoa (ou terapia centrada no cliente). Nessa abordagem, ele propôs que o fator mais importante do processo terapêutico não era a técnica em si, mas a qualidade da relação entre terapeuta e cliente.

    Dentro disso, ele destacou três atitudes fundamentais do terapeuta:

  • Empatia: a capacidade de compreender profundamente a experiência subjetiva do cliente, “como se” estivesse no lugar dele, sem perder a própria identidade
  • Congruência (ou autenticidade): o terapeuta não deve ser neutro no sentido de “frio”, mas sim uma pessoa real, transparente e coerente consigo mesma
  • Aceitação positiva incondicional: acolher o cliente sem julgamentos morais, independentemente do que ele traga.

 B. F. Skinner, que influenciou terapias focadas em comportamento observável.  

  • Mais tarde, a terapia cognitivo-comportamental (TCC), que integra pensamentos, emoções e comportamentos de forma estruturada e prática.

Surgiram outras abordagens importantes, como a terapia cognitiva e integrativa, mas o ponto central é que a psicoterapia passou a se desenvolver como um campo plural, com diferentes formas de compreender o sofrimento humano e de intervir sobre ele. 

Com o tempo, a psicoterapia deixou de ser algo restrito a consultórios privados e passou a ser aplicada em hospitais, escolas, empresas e serviços públicos.


Por que a psicoterapia se tornou popular

A popularidade da psicoterapia aumentou por alguns fatores principais:

  • Reconhecimento da saúde mental como parte essencial da saúde geral
  • Crescimento de transtornos como ansiedade e depressão, especialmente em contextos urbanos e de alta pressão social
  • Redução do estigma, ou seja, falar sobre sofrimento psicológico deixou de ser tabu em muitos contextos
  • Evidência científica mostrando que diferentes formas de terapia são eficazes para vários transtornos
  • Acesso ampliado, inclusive com formatos online e mais acessíveis
  • Cultura contemporânea de autoconhecimento, em que muitas pessoas buscam compreender melhor a si mesmas, não apenas tratar sintomas

 Terapia com IA's - pode me ajudar?

 

A matéria do UOL relata que mais de 12 milhões de brasileiros já utilizam inteligência artificial como forma de “terapia” ou apoio emocional, principalmente por meio de ferramentas como o ChatGPT.

Esse fenômeno está crescendo rapidamente: estudos indicam que o uso de IA para conselhos emocionais e suporte psicológico saltou de 1 em cada 13 usuários em 2024 para cerca de 1 em cada 2 em 2025 no Brasil.

O texto aponta como principal motivo dessa adesão a facilidade de acesso, já que a IA está disponível 24 horas por dia, oferecendo resposta imediata, algo que a terapia tradicional não consegue fazer na mesma escala.

Ao mesmo tempo, a reportagem destaca que esse uso levanta preocupações importantes, como:

  • ausência de supervisão profissional
  • risco de respostas inadequadas ou reforço de pensamentos negativos
  • possibilidade de agravamento de quadros psicológicos em pessoas vulneráveis
  • falta de regulação clara para esse tipo de “uso terapêutico” da IA

O artigo também contextualiza o fenômeno no Brasil, país com alta demanda por saúde mental e grande engajamento em plataformas digitais, o que ajuda a explicar por que a adoção é tão rápida.

Outro Artigo, Publicado pela Revista Veja, destaca que aponta riscos importantes, como a possibilidade de respostas inadequadas diante de situações de vulnerabilidade, a falta de capacidade para identificar sinais de gravidade psicológica e a ausência de responsabilidade ética e profissional no manejo das demandas apresentadas. 

O artigo conclui que, embora a IA possa ter utilidade como recurso complementar em contextos limitados, seu uso como substituto da terapia não é seguro nem equivalente ao trabalho realizado por um psicoterapeuta.

 

E quando o Psicologo usa as IA's no atendimento?

A reportagem da BBC destaca que a inteligência artificial pode ser uma ferramenta de apoio promissora para psicólogos, especialmente quando utilizada de forma ética e supervisionada. Em vez de substituir o profissional, a IA pode atuar como uma espécie de assistente clínico, ajudando na organização de informações, no registro de sessões e até na identificação de padrões ao longo do processo terapêutico.

O texto também aponta que psicólogos podem utilizar essas tecnologias para ganhar eficiência no trabalho clínico, otimizando tarefas burocráticas e liberando mais tempo para a escuta e o vínculo com o paciente — que continuam sendo o núcleo da psicoterapia.

Além disso, a reportagem sugere que a IA pode contribuir como ferramenta complementar entre sessões, auxiliando no acompanhamento do paciente e no suporte a intervenções já planejadas pelo profissional.

Nesse contexto, a IA não aparece como substituta da psicoterapia, mas como uma tecnologia de apoio que pode ampliar a prática clínica, desde que usada com critérios éticos, supervisão humana e compreensão clara de suas limitações.

 

Conclusão 

 Nesse cenário, a chamada “terapia por IA” não pode ser equiparada à psicoterapia tradicional, pois carece dos elementos fundamentais que sustentam o processo terapêutico, como a relação humana, a escuta clínica qualificada e a responsabilidade técnica do profissional. 

Elas ainda não entendem as sutilezas humanas, como o timbre de voz, mudanças na expressão facial durante os relatos, brilho no olhar, movimentos das pernas, braços e mãos, etc. Aliás, essa ainda é uma barreira encontrada até mesmo na terapia online, à qual estamos (ainda) tentando nos adaptar.

 Além disso, são incapazes de entender sutilezas, ironias e fazer conexões emocionais com o paciente, o que pode, agravar ainda mais a sensação de abandono emocional.

BBC News Brasil (uso de IA por psicólogos)

TOLEDO, Luiz Fernando. Seu psicólogo é de carne e osso — mas pode estar usando IA na terapia: entenda os riscos. BBC News Brasil, 15 dez. 2025. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/articles/c1j9gnxnk4zo. Acesso em: 27 maio 2026.


📌 VEJA (crítica ao uso de IA como terapia)

PINSKY, Ilana. Inteligência artificial na psicoterapia: e se funcionar melhor que gente? VEJA, 22 abr. 2025. Disponível em: https://veja.abril.com.br/coluna/mens-sana/inteligencia-artificial-na-psicoterapia-e-se-funcionar-melhor-que-gente/. Acesso em: 27 maio 2026.


📌 VEJA Saúde (contexto geral sobre terapia com IA)

BEANI, Larissa. No divã com um robô? A era das terapias feitas por IA. VEJA Saúde, 21 maio 2025. Disponível em: https://saude.abril.com.br/mente-saudavel/no-diva-com-um-robo-a-era-das-terapias-feitas-por-ia/. Acesso em: 27 maio 2026.


📌 UOL TAB (uso de IA como “terapia” no Brasil)

Milhões de brasileiros já fazem “terapia” por IA — e por que isso é um problema. TAB UOL, 02 jul. 2025. Disponível em: https://tab.uol.com.br/noticias/redacao/2025/07/02/milhoes-de-brasileiros-ja-fazem-terapia-por-ia-e-por-que-isso-e-um-problema.htm. Acesso em: 27 maio 2026.


 



 

quiz

Psicologa Sp - Consultorio na Av. Paulista

Psicóloga sp
Maristela Vallim Botari
CRP-SP 06-121677

"Considero que somos mais do que a soma das partes, e meu trabalho consiste em ajudar o cliente a montar o quebra-cabeça da vida, juntando peças que aparentemente não fazem sentido separadamente."

Um espaço para ser escutado(a) do seu jeito

Sou Maristela Vallim Botari, psicóloga (CRP-SP 06/121677). Trabalho com Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) com acolhimento humanizado.

A abordagem está a serviço da pessoa, nunca o contrário.

Aqui você não é um rótulo, um número de prontuário ou um código de CID. Você é uma pessoa, com uma história que merece ser ouvida sem pressa e sem julgamentos.

Psicóloga SP: mais do que uma profissão, um encontro com o outro

Ser psicóloga é mais do que exercer uma profissão.

É dedicar uma parte de si à compreensão das pessoas, de suas histórias, de suas dores, de suas angústias, seus vazios e também de suas possibilidades.

É muito mais do que conhecer teorias, estudar comportamentos ou aprender diferentes técnicas.

É saber olhar para cada pessoa como alguém único, compreendendo que aquilo que funciona para uma história pode não fazer sentido para outra.

Ser psicóloga exige, muitas vezes, que nos coloquemos no lugar do outro, para ouvir seus relatos, não apenas com os ouvidos, mas com a sensibilidade. Isto é empatia.

Ser psicóloga é saber quando e como falar coisas agradáveis ou desagradáveis; quando calar, quando encaminhar e quando dizer não. Isso é acolhimento humanizado.

Ser psicóloga é propor orientações, acolhimentos e atividades que façam sentido para a pessoa e que possam contribuir para sua melhora. Isso é psicoeducação.

Ser psicóloga também é ouvir tudo, qualquer coisa, sem julgar, e guardar tudo isso a sete chaves. Isto é ética.

E talvez seja justamente aí que esteja uma das partes mais bonitas da psicologia: compreender que cada pessoa chega à terapia trazendo uma história que não pode ser resumida a um diagnóstico, a uma queixa ou a algumas palavras.

Às vezes, a pessoa chega cansada de tentar explicar o que sente.

Outras vezes, nem sabe exatamente o que está sentindo.

Sabe apenas que alguma coisa mudou, que perdeu o prazer pelas coisas, que está ansiosa, triste, irritada ou simplesmente exausta de sustentar tudo sozinha.

Há quem procure uma psicóloga em São Paulo porque deseja entender melhor seus relacionamentos.

Há quem esteja enfrentando dificuldades no trabalho, uma separação, uma fase de insegurança ou uma sensação persistente de não conseguir dar conta da própria vida.

E há também quem procure ajuda simplesmente porque percebeu que não quer continuar vivendo determinadas situações da mesma maneira.

A psicoterapia pode ser esse espaço de pausa.

Um lugar onde seja possível na terapia, organizar pensamentos, compreender sentimentos e olhar para algumas situações por outros ângulos.

A busca pela excelência na psicologia não se resume a seguir protocolos à risca ou dominar procedimentos técnicos. Embora o conhecimento científico seja essencial, a verdadeira excelência está na capacidade de aplicar esse conhecimento de forma inteligente e sensível às necessidades de cada paciente. Ela exige percepção, adaptabilidade e atenção às particularidades de cada história de vida.

Psicóloga SP - Presencial na Av. Paulista ou online, onde você estiver

Terapia presencial na Avenida Paulista, perto do Metrô Consolação, e terapia online para todo o Brasil. Nos dois formatos, o cuidado e o sigilo profissional são os mesmos. Você escolhe o que fizer mais sentido para a sua rotina e o seu momento.

Para quem é a terapia

Terapia Individual – para adultos cuidarem das emoções, das relações e do desenvolvimento pessoal.

Terapia de Casal – para reencontrar o diálogo, atravessar conflitos e entender o momento da relação.

Terapia para Adolescentes – escuta atenta para uma fase de muitas mudanças, respeitando a privacidade do jovem.

Terapia Infantil – acompanhamento cuidadoso, com orientação aos pais ou responsáveis.

Terapia para Idosos – acolhimento para as transições e questões próprias dessa etapa da vida.

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