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Divulgação ética de *Valores de consulta com Psicóloga* e proibição de depoimento de pacientes

Psicólogos: 

você sabe como divulgar de maneira ética os preços dos seus serviços?

Durante muito tempo, falar sobre preço de serviços de psicologia foi um tabu, embora jamais tenha sido uma proibição. 

Este tabu começou porque existe uma confusão comum entre "falar sobre preço" e "fazer promoção comercial da profissão" — duas coisas bem diferentes aos olhos do Código de Ética Profissional do Psicólogo.

 

Por que a transparência protege o profissional

Divulgar o preço com clareza evita mal-entendidos, reduz a ansiedade de quem procura terapia pela primeira vez. Isso poupa tempo de ambos os lados e evita negociações desconfortáveis já dentro do consultório.

O segredo está na forma: informar não é o mesmo que persuadir. Um psicólogo pode — e deve — ser claro sobre valores, sem nunca transformar essa informação em gatilho de venda.

 

Informar preço x usar preço como propaganda: qual é a diferença?

Essa é a confusão que gera mais dúvida entre os profissionais, então vale destrinchar bem:

nada de termos como "preço social", "atendimento social", "desconto", "pacote promocional", "valor acessível"

Informar o preço é simplesmente deixar claro, de forma neutra, quanto custa a consulta — no site, no perfil das redes sociais, numa resposta direta para quem pergunta. 

É prestar uma informação objetiva, sem adjetivos, sem comparação, sem gatilho. É o tipo de informação que ajuda a pessoa a decidir se aquele atendimento cabe no bolso dela, sem nenhum apelo comercial embutido.

Usar o preço como propaganda é diferente: é transformar o valor (ou a ausência dele) em atrativo de venda. É quando o preço deixa de ser informação e passa a ser gancho — algo que promete vantagem, urgência ou economia para convencer a pessoa a fechar negócio. Nesse caso, o valor não está ali para informar, está ali para persuadir.

Na prática, o Código de Ética separa bem essas duas coisas: divulgar quanto custa a sessão é permitido; fazer disso um argumento de venda, não.

O que o Código de Ética realmente proíbe

Vamos direto ao ponto: o que não pode é transformar a psicoterapia em produto de vitrine. 

Pacote fechado, desconto por fidelização, promoção por tempo limitado, cupom, sorteio — nada disso pode entrar na divulgação de um serviço psicológico. E isso não é uma regra "não escrita", está registrado no próprio Código de Ética Profissional do Psicólogo:

  • Art. 20, alínea "d" — veda usar o preço do serviço como forma de propaganda
  • Art. 38, alínea "a" — repete essa mesma vedação: o psicólogo não pode usar o preço como forma de propaganda
  • Art. 39 — diz que os honorários devem ser fixados com dignidade e cuidado, representando uma retribuição justa pelo trabalho, e que o profissional deve buscar adequá-los às condições de quem está sendo atendido
  • Art. 40 — determina que os honorários sejam definidos considerando as particularidades da atividade psicológica e comunicados ao cliente antes de o trabalho começar, garantindo transparência desde o primeiro contato

A Nota Técnica CFP nº 1/2022 deixa isso ainda mais claro na prática: nada de termos como "preço social", "atendimento social", "desconto", "pacote promocional", "valor acessível" ou qualquer expressão parecida que sugira vantagem financeira. Cupom promocional e sorteio também estão fora de cogitação.

Pacote de terapia 

E tem um detalhe importante que costuma passar batido: divulgar o serviço em formato de pacote pode ser interpretado como uso do preço como propaganda — e também como uma forma de prolongar desnecessariamente o tratamento, o que o próprio Código proíbe. 

Ou seja, mesmo sem falar em "desconto", o simples fato de empacotar sessões já é problemático.

A psicoterapia tem duração indefinida por natureza: ninguém sabe, no início do processo, quantas sessões serão necessárias

Por isso, vender "pacotes de 10 sessões" contraria a própria lógica do tratamento — e fere o princípio de que o vínculo terapêutico não pode depender de fidelização comercial. 

Vale lembrar também que o paciente tem o direito de interromper o atendimento a qualquer momento, sem qualquer ônus — mais um motivo pelo qual "prender" o paciente num pacote não faz sentido ético nenhum.

Exemplos de marketing agressivo (o que NÃO fazer)

Pra ficar bem concreto, alguns exemplos de frases que caem direto na vedação do Código de Ética e que aparecem com frequência em divulgações de psicólogos:

  • "Primeira sessão grátis!"
  • "Pacote de 10 sessões com 20% de desconto"
  • "Psicóloga com preço acessível"
  • "Consulta social — vagas limitadas"
  • "Leve 3 sessões e pague 2"
  • "Cupom de desconto para novos pacientes"
  • "Promoção de aniversário: sessões pela metade do preço"
  • "Sorteio de uma sessão gratuita entre os seguidores"

Qualquer frase que associe o preço a uma vantagem, uma condição especial ou uma urgência para fechar negócio entra nessa categoria — independente de estar "disfarçada" de forma sutil ou explícita.

E os Conselhos Regionais, como tratam isso na prática?

Os Conselhos Regionais de Psicologia (CRPs) vão além do Código e ajudam a esclarecer situações do dia a dia — como o famoso "atendimento social".

O CRP-PR, por exemplo, publicou uma Nota Técnica justamente para orientar profissionais que atendem pessoas em situação de vulnerabilidade social. 

A dúvida é comum: como divulgar um valor mais em conta sem cair na vedação do preço como propaganda? 

A orientação é simples e esperta: usar o termo "Atendimento Social" em vez de qualquer variação que remeta a valor — nada de "preço acessível", "custo social", "vaga social", "valores reduzidos" e afins, porque isso caracterizaria concorrência desleal com os colegas de profissão.

Mesmo nesses casos, o profissional segue tendo que garantir a qualidade técnica e ética do atendimento, manter registros documentais e formalizar em contrato os critérios de seleção do público atendido — sem incluir, entre esses critérios, permuta de trabalhos, participação em instituições como moeda de troca ou qualquer tipo de vantagem em troca do valor reduzido.

O mesmo raciocínio vale para convênios: o que se divulga é a existência do convênio, não os valores diferenciados — o preço em si continua sendo tratado em consulta direta com o profissional.

O que é permitido — e recomendado

  • Informar o valor da consulta em seu site, redes sociais ou material de divulgação
  • Manter o mesmo valor para diferentes formatos de atendimento (individual, casal, online, presencial), evitando hierarquias de preço que soem arbitrárias
  • Oferecer um valor diferenciado apenas para a primeira sessão, como forma de facilitar o primeiro contato — desde que isso não vire estratégia de atração seguida de aumento disfarçado
  • Deixar claro que preço e forma de pagamento podem ser conversados caso a caso, sem que isso configure promoção
  • Explicar, em linguagem simples, como funciona o processo terapêutico, para que o valor cobrado faça sentido para quem está buscando ajuda

Em resumo

Falar sobre preço não fere a ética profissional. O que fere é usar o preço como ferramenta de marketing agressivo, com descontos, pacotes ou promoções que tratam a saúde mental como mercadoria. Transparência com responsabilidade é o caminho — e é exatamente isso que constrói confiança antes mesmo da primeira sessão.

Fontes: Conselho Federal de Psicologia. Nota Técnica nº 1/2022 — Orientações sobre publicidade profissional nas redes sociais. Conselho Regional de Psicologia do Paraná. Nota Técnica nº 002/2019 — Publicidade profissional.


Caso a(o) profissional esteja divulgando serviços a um público em processo de exclusão social por fatores socioeconômicos ou em situação de vulnerabilidade e risco, não poderão ser utilizados termos como “preços reduzidos”, “valor social”, “preço acessível”, entre outros. O termo a ser utilizado será “Atendimento Social”, conforme 

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