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sessão de terapia tem 50 minutos


 

Por que a sessão de terapia tem 50 minutos?

Você já se perguntou por que uma sessão de psicoterapia costuma durar cerca de 45 a 50 minutos?

Para algumas pessoas, esse tempo parece curto. Principalmente quando existe muito para contar, quando uma lembrança importante surge perto do final ou quando a conversa chega justamente a um assunto delicado.

Nessas situações, é comum aparecer o desejo de continuar por mais alguns minutos.

Mas existe uma razão para a psicoterapia trabalhar com um tempo previamente definido.

Os 50 minutos não são um detalhe da agenda. Eles fazem parte da organização do trabalho terapêutico.

E, quando compreendemos como funcionam a atenção, a fadiga mental, a tomada de decisões e o processamento de informações, percebemos que mais tempo nem sempre significa mais qualidade.

50 minutos não são um tempo escolhido ao acaso

A American Psychological Association informa que uma sessão típica de psicoterapia dura entre 45 e 50 minutos. A própria orientação da APA recomenda que o paciente organize previamente os assuntos que deseja trabalhar para aproveitar melhor esse período.

Isso não significa que exista uma regra biológica segundo a qual o cérebro humano funcione exatamente durante 50 minutos.

A ciência não sustenta essa afirmação simplista.

O que podemos dizer é que a psicoterapia exige uma atividade mental complexa: falar sobre experiências, lembrar acontecimentos, reconhecer emoções, refletir sobre pensamentos, perceber padrões, estabelecer relações entre situações e comportamentos e elaborar novas possibilidades.

Por isso, a sessão precisa ter estrutura, começo, desenvolvimento e encerramento.

O encerramento também faz parte da terapia.

O cérebro não é uma máquina que mantém o mesmo desempenho indefinidamente

Quando permanecemos envolvidos durante muito tempo em uma atividade que exige atenção e processamento mental, podem ocorrer sinais de fadiga mental.

Isso não significa que exista um número mágico de minutos depois do qual o cérebro simplesmente "desliga".

Aliás, essa é uma ideia que precisa ser evitada.

O pesquisador Neil Bradbury revisou a literatura sobre atenção durante aulas e mostrou que a famosa afirmação de que a atenção humana necessariamente despenca depois de 10 ou 15 minutos não possui o respaldo científico que muitas vezes lhe é atribuído.

A questão é mais interessante do que isso.

A atenção é dinâmica.

Ela varia conforme o tipo de tarefa, a motivação, o interesse, a complexidade da informação e o esforço mental envolvido.

Portanto, não podemos dizer que uma pessoa deixa de prestar atenção exatamente aos 50 minutos.

Podemos dizer que atividades cognitivamente exigentes precisam ser organizadas de maneira que favoreçam a qualidade do processamento.

E isso também se aplica à psicoterapia.

Uma aula de 50 minutos pode ensinar mais do que uma aula interminável

Um estudo publicado no Journal of Applied Research in Memory and Cognition analisou uma aula em vídeo de 50 minutos.

Os pesquisadores dividiram os estudantes em diferentes condições: alguns assistiram à aula sem interrupções, enquanto outros tiveram três pausas de cinco minutos distribuídas ao longo da atividade.

O grupo que teve pausas apresentou maior atenção durante a aula e melhores resultados de aprendizagem, inclusive em avaliações posteriores.

Isso traz uma reflexão importante:

tempo de exposição não é sinônimo de qualidade de aprendizagem.

Mais minutos não significam necessariamente mais aproveitamento.

A forma como o tempo é organizado também importa.

E o que isso tem a ver com psicoterapia?

A terapia não é uma aula.

Também não é uma partida de futebol.

Mas esses exemplos ajudam a compreender um princípio comum: atividades que exigem atenção, processamento de informações e tomada de decisões precisam de organização temporal.

Durante uma sessão, o paciente não está simplesmente "conversando".

Ele pode estar tentando compreender por que reage de determinada maneira, recordando acontecimentos difíceis, identificando pensamentos automáticos, percebendo emoções, questionando interpretações antigas e construindo novas formas de compreender uma situação.

Tudo isso envolve processamento mental.

Por isso, uma sessão de 50 minutos pode ser bastante intensa.

O que o futebol pode nos ensinar sobre fadiga mental?

Imagine um jogador profissional entrando em campo.

Ele está fisicamente preparado.

Treinou durante a semana.

Conhece as regras.

Conhece seus companheiros.

Mesmo assim, sua capacidade de tomar boas decisões pode ser afetada pela fadiga mental.

Pesquisadores estudaram justamente essa questão.

Smith e colaboradores investigaram jogadores de futebol treinados e verificaram os efeitos da fadiga mental sobre uma tarefa específica de tomada de decisão no futebol.

Antes da tarefa, os atletas realizaram 30 minutos de uma atividade cognitiva exigente ou uma condição de controle.

Após a tarefa cognitivamente exigente, os jogadores apresentaram menor precisão e maior tempo de resposta na tomada de decisões específicas do futebol.

Ou seja:

a fadiga mental pode interferir na qualidade da decisão.

E isso é interessante porque o futebol é justamente uma atividade em que decisões precisam ser tomadas continuamente.

Outro estudo: 15 minutos não produziram o mesmo efeito que 30

Gantois e colaboradores estudaram 20 jogadores profissionais de futebol em diferentes condições.

Os atletas foram submetidos a condições de controle ou a tarefas de 15 ou 30 minutos destinadas a induzir fadiga mental.

Depois, participaram de uma partida de treinamento de 90 minutos.

Os resultados mostraram piora na tomada de decisão relacionada aos passes depois da condição de 30 minutos de tarefa cognitiva, quando comparada às condições de 15 minutos e controle.

O estudo não diz que "30 minutos é o limite do cérebro".

Essa seria uma conclusão incorreta.

O que ele demonstra é algo mais útil:

uma tarefa mental prolongada pode interferir no desempenho cognitivo posterior.

Isso ajuda a compreender por que, em atividades que dependem de atenção e processamento mental, a duração e a organização do tempo importam.

Então por que não fazer terapia por uma hora, uma hora e meia ou duas horas?

Porque mais tempo não significa necessariamente mais trabalho terapêutico.

Imagine uma aula que simplesmente continuasse indefinidamente.

Ou uma partida de futebol sem intervalo.

Ou uma reunião que nunca tivesse hora para terminar.

Em algum momento, a questão deixa de ser "quanto tempo ainda podemos permanecer aqui?" e passa a ser:

"como utilizar melhor o tempo que temos?"

Na psicoterapia, essa diferença é fundamental.

O objetivo não é permitir que o paciente fale até que todos os assuntos possíveis tenham sido esgotados.

Isso seria praticamente impossível.

Uma pessoa pode ter décadas de experiências para contar.

Sempre haverá outra lembrança.

Outro episódio.

Outra preocupação.

Outro detalhe.

Outro assunto que poderia ser explorado.

Se a terapia dependesse de falar até que "não houvesse mais nada para dizer", uma sessão jamais teria fim.

O encerramento também é parte da sessão

Existe uma diferença importante entre interromper uma conversa e encerrar uma sessão terapêutica.

O encerramento pode permitir:

  • organizar os principais assuntos trabalhados;

  • perceber o que foi mais importante naquele encontro;

  • identificar o que ficou emocionalmente mobilizado;

  • retomar algum ponto essencial;

  • pensar sobre o que será levado para os próximos dias;

  • estabelecer uma ponte para a próxima sessão.

Por isso, os minutos finais não são minutos "perdidos".

Eles fazem parte do processo.

Quando uma sessão termina no horário combinado, isso não significa que aquilo que o paciente sente deixou de ser importante.

Significa que aquele conteúdo será trabalhado dentro de um espaço terapêutico organizado.

Mas e quando surge algo importante no último minuto?

Isso acontece.

E pode ser muito significativo.

Às vezes, justamente quando a sessão está terminando, a pessoa consegue falar sobre algo que estava evitando.

Pode surgir uma lembrança.

Uma percepção.

Uma emoção.

Uma frase que muda completamente a compreensão daquele encontro.

Isso não significa que seja necessário ultrapassar sistematicamente o horário.

Uma questão importante pode ser acolhida, registrada e retomada na próxima sessão.

Nem tudo precisa ser resolvido no mesmo dia em que aparece.

Aliás, aprender que determinadas questões podem esperar e ser retomadas posteriormente também pode fazer parte do processo terapêutico.

O limite de tempo não limita o sofrimento

Essa talvez seja a distinção mais importante.

Uma sessão de 50 minutos não significa:

"Você só tem direito a sofrer durante 50 minutos."

Também não significa:

"Seu problema não é importante o suficiente para ocupar mais tempo."

Significa que existe um espaço determinado para trabalhar aquilo que está acontecendo.

O sofrimento humano não cabe em um relógio.

Mas a psicoterapia precisa de um enquadre.

E o tempo é uma das partes desse enquadre.

Ter um limite também pode trazer segurança

Imagine entrar em uma sessão sem saber quando ela vai terminar.

Poderia durar 40 minutos.

Uma hora.

Duas horas.

Três horas.

Essa falta de previsibilidade poderia tornar o processo bastante diferente.

O enquadre oferece uma referência.

A pessoa sabe quando começa.

Sabe aproximadamente quanto tempo terá.

E sabe que haverá continuidade.

Essa previsibilidade ajuda a transformar a terapia em um processo, e não simplesmente em uma conversa que se prolonga enquanto houver assuntos para contar.

Uma sessão não precisa conter tudo

Um dos equívocos mais comuns é imaginar que uma boa sessão é aquela em que se fala sobre o maior número possível de assuntos.

Não necessariamente.

Uma sessão pode ser muito produtiva quando trabalha um único tema com profundidade.

Às vezes, uma pergunta aparentemente simples pode ocupar boa parte do encontro.

"Por que eu sempre faço isso?"

"Por que tenho tanto medo?"

"Por que aceito determinadas situações?"

"Por que continuo pensando naquela pessoa?"

"Por que sinto que nunca sou bom o suficiente?"

Uma única pergunta pode abrir caminhos importantes.

Por isso, qualidade não pode ser medida simplesmente pela quantidade de minutos.

50 minutos podem ser intensos

Uma sessão de psicoterapia pode envolver escuta, reflexão, identificação de padrões, questionamento de pensamentos, reconhecimento de emoções e construção de novas perspectivas.

Não é necessário preencher cada minuto com fala.

Também não é necessário terminar cada assunto.

E não é necessário sair da sessão com todas as respostas.

A psicoterapia trabalha com continuidade.

Uma sessão conversa com a seguinte.

Uma descoberta pode ser aprofundada posteriormente.

Uma percepção pode precisar de tempo para amadurecer.

Uma mudança pode começar com uma pequena compreensão.

O processo terapêutico não depende de resolver tudo imediatamente.

O horário também faz parte do cuidado

A APA orienta que uma sessão típica de psicoterapia dura entre 45 e 50 minutos e recomenda que o paciente organize os assuntos que deseja trabalhar para utilizar bem esse período.

Isso ajuda a compreender que o horário não é um detalhe burocrático.

Ele faz parte da própria organização da psicoterapia.

Assim como uma aula possui um período determinado e uma partida possui regras de duração, uma sessão terapêutica também possui um tempo previamente estabelecido.

Não porque o relógio seja mais importante que a pessoa.

Mas porque um processo organizado favorece um trabalho mais organizado.

Afinal, por que 50 minutos?

Porque a psicoterapia é uma atividade estruturada.

Porque atenção e processamento mental não são recursos infinitos.

Porque estudos sobre fadiga mental mostram que o esforço cognitivo prolongado pode afetar determinadas formas de desempenho e tomada de decisão.

Porque pesquisas sobre aprendizagem mostram que a organização do tempo e a presença de pausas podem influenciar atenção e aprendizagem.

Porque a literatura não sustenta a ideia simplista de que existe um "tempo mágico" de atenção humana, mas mostra que a atenção é dinâmica e depende das características da atividade.

E porque, na prática da psicoterapia, 45 a 50 minutos constituem uma duração típica de sessão, conforme orientação da American Psychological Association.

Portanto, quando uma sessão chega ao fim, não significa que "já foi suficiente para o sofrimento".

Significa que aquele encontro chegou ao seu momento de encerramento.

E isso não diminui o que foi vivido.

Pelo contrário.

É justamente o que permite que a terapia continue sendo um processo organizado, gradual e cuidadoso.

Na psicoterapia, não é preciso dizer tudo de uma vez.

Há uma próxima sessão.

Há tempo para retomar.

Há tempo para elaborar.

Há tempo para compreender.

E, muitas vezes, respeitar esse tempo é parte do próprio tratamento.


Referências teóricas

American Psychological Association. (2023). Understanding psychotherapy and how it works. A APA informa que uma sessão típica de psicoterapia dura entre 45 e 50 minutos.

Bradbury, N. A. (2016). Attention span during lectures: 8 seconds, 10 minutes, or more? Advances in Physiology Education, 40(4), 509–513. DOI: 10.1152/advan.00109.2016.

Fenesi, B., Lucibello, K., Kim, J. A., & Heisz, J. J. (2018). Sweat so you don't forget: Exercise breaks during a university lecture increase on-task attention and learning. Journal of Applied Research in Memory and Cognition, 7(2), 261–269. DOI: 10.1016/j.jarmac.2018.01.012.

Smith, M. R., Zeuwts, L., Lenoir, M., Hens, N., De Jong, L. M. S., & Coutts, A. J. (2016). Mental fatigue impairs soccer-specific decision-making skill. Journal of Sports Sciences, 34(14), 1297–1304. DOI: 10.1080/02640414.2016.1156241.

Gantois, P., Caputo Ferreira, M. E., de Lima-Junior, D., Nakamura, F. Y., Batista, G. R., Fonseca, F. S., & Fortes, L. S. (2020). Effects of mental fatigue on passing decision-making performance in professional soccer athletes. European Journal of Sport Science, 20(4), 534–543. DOI: 10.1080/17461391.2019.1656781.

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