Negando a própria dor

Negando a própria dor

*Psicóloga Amil*


Recebi uma pergunta assim:

“Quando uma pessoa saiu frustrada ou desiludida de um relacionamento, e em seguida passa a se envolver com outra pessoa, esta atitude precipitada pode ser uma forma de negação da dor?”

Pode ser uma negação.
E pode não ser uma negação.
Vai depender de várias variáveis....

Quando pode ser considerada uma negação?

Primeiramente, precisamos conceituar “Negação”.

A negação é um mecanismo de defesa psíquica que consiste em dar outro significado ao estímulo aversivo ou intolerável que foi percebido, oferecendo uma explicação menos dolorosa. Esta defesa tem valor adaptativo, uma vez que nem sempre estamos devidamente preparados para lidar com as vicissitudes da vida e por causa disto tendemos a buscar alívios, nos defender da dor como for possível, inclusive negando-a.

Quando consideramos que um rompimento afetivo é uma forma de luto, entendemos que trás inevitavelmente algum sofrimento, em maior ou menor escala, dependendo do grau de envolvimento entre os parceiros. Mesmo naqueles onde a afetividade é mínina, a ruptura pode levar a um sentimento de tristeza, afinal se trata de um investimento que não deu certo.

É comum que as pessoas lancem mão de toda sorte de atividades para não se depararem com a dor da perda: passeios, festas, compras, bebidas, etc., são apenas algumas formas de afastar temporariamente a dor. Uma das “fórmulas” mais utilizadas para minimizar a dor da perda é conseguir outro parceiro, apenas para “fugir da solidão”.

Todos estes comportamentos podem ser considerados “comportamentos de negação”, se sua finalidade for a busca pelo consolo após um rompimento afetivo.

A negação utiliza muitas máscaras:

Pode ser a máscara da indiferença, que pretende esconder o que se sente por meio de atitudes supostamente indiferentes, atribuindo ao outro pouco importância;

Pode ser a máscara da hostilidade, quando um sentimento muito forte precisa ser dissimulado a qualquer custo;

Pode ser a máscara da polidez, quando a tendência é usar a formalidade para frear os impulsos e os desejos;

Pode ser a máscara da vitimização, quando o individuo se coloca na posição de sofredor, sem conseguir reconhecer sua parcela de culpa, atgribuindo ao outro toda a responsabilidade pelos revezes que atravessaram a relação;

Pode ser a máscara da raiva, que serve como um instrumento poderoso para tentar converter o sentimento bom em sentimento ruim;

Pode ser a máscara da suposta felicidade, onde o individuo sofredor utiliza de todos os recursos possíveis para mostrar que está bem, feliz e não está sofrendo.

E outras tantas máscaras.......O que importa é saber reconhecê-las (e saber quando e como usá-las).



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