A Vergonha

"Viver, e não ter a vergonha de ser feliz" (Gonzaguinha)

Embora seja um sentimento pouco abordado dentro da psicologia, é um tema que permeia muitos comportamentos e exige uma reflexão.

*Psicóloga Saúde Bradesco* sp


O que é a vergonha?

De acordo com alguns teóricos, o sentimento de vergonha pode ser entendido como o sentimento de inadequação perante pares. Explicando: A vergonha surge quando:


  • O indivíduo teve uma frustração pública; ou quando foi humilhado na frente de outros; ou quando é exposto a alguma situação considerada vexatória.
Existem muitos tipos de vergonha. Algumas normais, outras patológicas.

Normal
Podemos citar como normais aquelas que "tiramos de letra" e conseguimos rir no momento em que ocorre. Aliás, a capacidade de rir de si mesmo é algo extremamente saudável, uma vez que põe o indivíduo em contato com seus sentimentos, legitimando seus comportamentos "inadequados". Por exemplo. suponhamos que você esqueceu a carteira e não tem como pagar a conta do restaurante; é uma situação constrangedora, mas exige uma tomada de decisão rápida. Você pode chamar o garçom e explicar  a ele a situação propondo um acordo; isto não diminui a vergonha, mas tem de ser feito. Para reduzir o sentimento de vergonha, o ideal é sair desta situação com a maior discrição possível.

Patológico
(Patológico = aquilo que faz mal para o indivíduo e/ou para o meio que o cerca; que modifica comportamentos, sentimentos e atitudes causando estresse para si ou para outrem)

As vergonhas patológicas são aquelas que só existem na cabeça de quem as tem.
Podemos tomar o caso do indivíduo que tem vergonha de sua condição social, de sua origem, de sua etnia, de seus pais, de seus filhos, etc.
A patologia aqui não é somente sentir a vergonha, mas sobretudo a forma como este sentimento é manejado, por exemplo: pedir para seus pais te esperarem na esquina da faculdade, por sentir vergonha deles, sem que eles mereçam este tipo de atitude. (Infelizmente isto acontece!!).

Existem casos em que o individuo não se dá conta que tem este sentimento patológico, e só se dá conta que algo de errado está acontecendo porque começa a se sentir triste, deprimido, ansioso. 

Esta dificuldade de aceitação (de si e/ou dos outros) está relacionada à história de vida de cada um, e sobre o que introjetou como princípios básicos de convivência, bem como o que apreendeu a valorizar.

Na terapia cogntivo-comportamental, costumamos promover as modificações de crenças centrais com ótimos resultados, pois esta abordagem possibilita que o indivíduo entre em contato com seus sentimentos, aprendendo a manja-los corretamente, de forma a minimizar o sofrimento para si e/ ou para o meio.